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Medicamentos sujeitos a Receita Médica | Medicamentos usados para o tratamento da Gota | Alopurinol
1. Denominação do medicamento
Alopurinol Sidefarma 300 mg comprimidos.

2. Composição qualitativa e quantitativa
Cada comprimido contém 300 mg de alopurinol.

Excipiente com efeito conhecido:
Lactose monohidratada - 145 mg
Lista completa de excipientes ver secção 6.1

3. Forma farmacêutica
Comprimido.

4. Informações clínicas
4.1 Indicações terapêuticas
O Alopurinol Sidefarma está indicado no tratamento da gota e das hiperuricemias primárias assim como das secundárias devidas a insuficiência renal, doenças neoplásicas ou seu tratamento. Também é útil no tratamento de certas alterações enzimáticas, como síndrome de Lesch-Nyhan.
É eficaz na profilaxia e no tratamento da litíase renal cálcica em doentes com hiperuricemia e/ou uricosúria. Outras indicações são a profilaxia ou o tratamento da litíase úrica e o tratamento da nefropatia por ácido úrico.

4.2 Posologia e modo de administração
Adultos:
A dose inicial é de 100 a 300 mg/dia administrados uma vez ao dia, de preferência após uma refeição.

A dose é posteriormente ajustada por controlo da uricemia e/ou uricosúria até obter os resultados desejados o que habitualmente acontece às 1-3 semanas de tratamento.

Dosagem em caso de insuficiência renal:
A dose é ajustada ao grau de insuficiência renal, de acordo com o seguinte esquema:

Clearance de Creatinina (mL/minuto) Dose de Manutenção
0
10
20
40
60
80
100 mg de 3-3 dias
100 mg de 2-2 dias
100 mg dia
150 mg dia
200 mg dia
250 mg


Dosagem em caso de hemodiálise:
O alopurinol elimina-se por diálise renal. Em caso de diálise frequente (2-3 vezes por semana) pode usar-se a dose de 300-400 mg depois de cada sessão de diálise.

Crianças:
A dose usual é de 10-20 mg/kg/dia. O tratamento deve ser reservado a hiperuricemias secundárias a processos neoplásicos.

4.3 Contraindicações
- Hipersensibilidade à substância ativa ou a qualquer dos excipientes mencionados na secção 6.1.
- Não deve ser utilizado durante crises agudas de gota, devendo-se esperar a remissão completa antes de instaurar o tratamento profilático.

4.4 Advertências e precauções especiais de utilização
Síndrome de hipersensibilidade, Síndrome de Stevens-Johnson (SSJ) e Necrólise Epidérmica Tóxica (NET)

As reações de hipersensibilidade ao alopurinol podem manifestar-se de diferentes formas, incluindo exantema maculopapular, síndrome de hipersensibilidade (DRESS) e SSJ/NET. Estas reações são diagnósticos clínicos e as suas apresentações clínicas são a base do processo de decisão. Se estas reações (ex: erupção cutânea progressiva, frequentemente com bolhas ou lesões mucosas) ocorrerem a qualquer altura durante o tratamento, o alopurinol deve ser imediatamente retirado. O medicamento não deve ser reintroduzido no tratamento de doentes com síndrome de hipersensibilidade (DRESS) e SSJ/NET. Foram notificadas reações cutâneas graves e potencialmente fatais de síndrome de Stevens-Johnson (SSJ) e de necrólise epidérmica tóxica (NET) com o uso de alopurinol. Os corticosteroides podem apresentar benefícios no tratamento das reações de hipersensibilidade cutâneas.

Os doentes devem ser alertados para os sinais e sintomas das reações cutâneas e devem ser atentamente monitorizados. O risco de ocorrência de síndrome de Stevens-Johnson (SSJ) ou de necrólise epidérmica tóxica (NET) é maior durante as primeiras semanas de tratamento.

O diagnóstico precoce e a descontinuação imediata do medicamento suspeito permitem a obtenção de melhores resultados na abordagem de SSJ e de NET. A descontinuação precoce está associada a um melhor prognóstico

Alelo HLA-B*5801
O alelo HLA-B*5801 está demonstradamente associado ao risco de desenvolvimento da síndrome de hipersensibilidade (DRESS) e de SSJ/NET com o alopurinol. A frequência do alelo HLA-B*5801 varia bastante com a etnia das populações: até 20% na população chinesa Han, cerca de 12% na população coreana e 1-2% nos indivíduos de origem japonesa ou europeia. A utilização de genotipagem como ferramenta de rastreio para a tomada de decisão acerca do tratamento com alopurinol ainda não foi estabelecida. Se o doente for portador conhecido do alelo HLA-B*5801, a utilização de alopurinol pode ser considerada se os benefícios forem superiores aos riscos. É necessária vigilância acrescida para sinais de síndrome de hipersensibilidade (DRESS) ou de SSJ/NET e o doente deve ser informado acerca da necessidade de parar imediatamente o tratamento ao aparecimento dos primeiros sintomas.

Há possibilidade de aumento de incidência de crises de gota durante os primeiros meses de tratamento, possivelmente por mobilização e ulterior recristalização dos depósitos tecidulares de uratos. Recomenda-se por isso o início do tratamento com doses baixas (100 mg/dia), aumentando progressivamente a dose. Se necessário, pode ser associada colchicina (0.5 mg duas vezes ao dia) durante os primeiros três meses.

No tratamento das hiperuricemias secundárias ao tratamento antineoplásico deve iniciar-se a terapêutica com Alopurinol antes do início da administração dos citostáticos, a fim de prevenir a possível nefropatia.

Recomenda-se a ingestão abundante de líquidos de modo a obter um débito urinário mínimo de dois litros diários. Esta precaução é especialmente importante nas hiperuricemias secundárias ao tratamento antineoplásico. É também conveniente a manutenção de uma urina neutra ou ligeiramente alcalina.

Em doentes com história de doença hepática, recomenda-se o controlo das provas funcionais hepáticas, especialmente durante os primeiros meses de tratamento.

Este medicamento contém lactose. Doentes com problemas hereditários raros de intolerância à galactose, deficiência de lactase ou má absorção de glucose-galactose não devem tomar este medicamento.

4.5 Interacções medicamentosas e outras formas de interacção
No caso de administração conjunta com azatioprina ou 6-mercaptopurina a dose destes dois medicamentos deve ser reduzida a um quarto da dose habitual, porque a inibição da xantina oxidase prolonga a sua atividade.

O alopurinol pode prolongar o efeito hipoglicemiante da clorpropamida em doentes com insuficiência renal.

Os agentes uricosúricos (probenicid, benciodarona, benzobromarona) aceleram a excreção do oxipurinol, metabolito ativo do alopurinol. Este efeito pode diminuir a atividade do alopurinol. Embora a administração conjunta não seja contraindicada, o fenómeno dever ser tido em conta sobretudo ao iniciar, suprimir ou modificar o tratamento uricosúrico.

A mesma precaução deve observar-se no caso de tratamento conjunto com agentes que inibam a eliminação do ácido úrico, como as tiazidas e outros diuréticos e os acidificantes da urina.

A administração conjunta com ampicilina provoca um ligeiro aumento de fenómenos de hipersensibilidade cutânea.

O alopurinol prolonga a semivida dos anticoagulantes. Este fenómeno parece não ter repercussão clínica, em tratamentos prolongados. Contudo, todos os doentes medicados com anticoagulantes devem ser cuidadosamente monitorizados.

A administração concomitante de captopril e alopurinol pode aumentar o risco de reações cutâneas adversas, especialmente em doentes com insuficiência renal crónica.

A associação de alopurinol e co-trimoxazole tem sido associada ao aparecimento de trombocitopenia.

A administração simultânea de alopurinol e ciclofosfamida pode aumentar a concentração sanguínea da ciclofosfamida.

4.6 Fertilidade, gravidez e aleitamento
Uma vez que se desconhecem os efeitos do alopurinol sobre o feto, deve evitar-se o uso do fármaco durante a gravidez. O alopurinol e o seu metabolito oxipurinol são excretados no leite materno, pelo que deverá ser evitado o seu uso durante o aleitamento. 4.7 Efeitos sobre a capacidade de conduzir e utilizar máquinas
Os efeitos de Alopurinol Sidefarma sobre a capacidade de conduzir e utilizar máquinas são nulos ou desprezáveis.

4.8 Efeitos indesejáveis
Notificação de suspeitas de reações adversas
A notificação de suspeitas de reações adversas após a autorização do medicamento é importante, uma vez que permite uma monitorização contínua da relação benefício-risco do medicamento. Pede-se aos profissionais de saúde que notifiquem quaisquer suspeitas de reações adversas através dos seguintes contactos:

INFARMED, I.P.
Direção de Gestão do Risco de Medicamentos
Parque da Saúde de Lisboa, Av. Brasil 53
1749-004 Lisboa
Tel: +351 21 798 71 40
Fax: + 351 21 798 73 97
Sítio da internet:
http://extranet.infarmed.pt/page.seram.frontoffice.seramhomepage
E-mail: farmacovigilancia@infarmed.pt

Não há documentação clínica atualizada para este produto que possa ser utilizada como suporte para determinar a frequência de efeitos indesejáveis. Os efeitos indesejáveis podem variar no grau de incidência, dependendo da dose recebida e também da administração concomitante com outros agentes terapêuticos.

As categorias de frequência abaixo atribuídas às reações medicamentosas adversas são estimativas: para a maioria das reações, não há dados adequados disponíveis para o cálculo da incidência.

Reações adversas medicamentosas identificadas na vigilância pós comercialização foram consideradas raras ou muito raras.

A convenção seguinte foi usada para classificar a frequência:
Muito frequentes (≥ 1/10);
Frequentes (≥ 1/100, <1/10);
Pouco frequentes (≥ 1/1000, <1/100);
Raros (≥ 1/10000, <1/1000);
Muito raros (<1/10000);
Desconhecido (não pode ser calculado a partir dos dados disponíveis).

A incidência de reações adversas é superior na presença de doença renal e/ou hepática.

Infeções e infestações
Muito raros: furunculose.

Doenças do sangue e do sistema linfático
Muito raros: agranulocitose, granulocitose, anemia aplástica, trombocitopenia, leucopenia, leucocitose, eosinofilia e aplasia pura de série vermelha

Foram relatados casos muito raros de trombocitopenia, agranulocitose e anemia aplástica, particularmente em doentes com função renal/hepática reduzida, reforçando assim a necessidade de precaução particular com estes doentes.

Doenças do sistema imunitário
Pouco frequentes: reações de hipersensibilidade.
Muito raros: linfadenopatia angioimunoblástica.

Um distúrbio de hipersensibilidade multi-órgãos retardada (conhecida como síndrome de hipersensibilidade ou DRESS) com, febre, erupção cutânea, vasculite, linfoadenopatias, pseudolinfoma, artralgias, leucopenia, eosinofilia, hepatoesplenomegalia, alterações das provas de função hepática e síndrome do desaparecimento dos ductos biliares intra-hepáticos pode ocorrer em variadas combinações. Outros órgãos podem também ser afetados (ex.: fígado, pulmões, rins, pâncreas, miocárdio e cólon). Ocorrem também, raramente, reações de hipersensibilidade, incluindo reações cutâneas associadas a esfoliação, febre, linfadenopatia, artralgia e/ou eosinofilia, incluindo Síndrome de Stevens-Johnson e Necrólise Epidérmica Tóxica (ver Afeções dos tecidos cutâneos e subcutâneos). A vasculite e a resposta tecidual associadas podem manifestar-se de várias formas, incluindo hepatite, insuficiência renal, colangite aguda, cálculos de xantina e muito raramente, convulsões.
Estas reações podem desenvolver-se em qualquer altura do tratamento e nestes casos, o tratamento com Alopurinol Sidefarma deve ser interrompido imediata e permanentemente. Quando ocorreram reações de hipersensibilidade, estas incluíram distúrbios renais e/ou hepáticos, particularmente nos casos em que o desfecho foi fatal.

Choque anafilático agudo foi notificado muito raramente.

Os corticosteroides podem ser benéficos na presença de reações de hipersensibilidade cutânea. Quando ocorreram reações de hipersensibilidade generalizada, observou-se geralmente a presença de doença renal e/ou hepática, particularmente nos casos que foram fatais.

A linfadenopatia angioimunoblástica na sequência de biópsia de linfadenopatia generalizada, tem sido descrita muito raramente. Parece ser reversível com a interrupção de Alopurinol.

Doenças do metabolismo e da nutrição
Muito raros: diabetes mellitus, hiperlipidemia.

Perturbações do foro psiquiátrico
Muito raros: depressão.

Doenças do sistema nervoso
Muito raros: coma, paralisia, ataxia, neuropatia, parestesia, sonolência, cefaleias, alteração do paladar.

Afeções oculares
Muito raros: cataratas, perturbações visuais, alterações maculares.

Afeções do ouvido e do labirinto
Muito raros: vertigens.

Doenças cardíacas
Muito raros: angina, bradicardia.

Vasculopatias
Muito raros: hipertensão.

Doenças gastrointestinais
Pouco frequentes: vómitos, náuseas, diarreia
Muito raros: hematémese recorrente, esteatorreia, estomatite, alteração dos hábitos intestinais.

Em ensaios clínicos anteriores foram relatados náuseas e vómitos. Para aumentar a tolerabilidade gastrointestinal, o Alopurinol deve ser tomado após uma refeição.

Afeções hepatobiliares
Pouco frequentes: alterações assintomáticas das provas de função hepática.
Raros: hepatite (incluindo necrose hepática e hepatite granulomatosa).

Foi reportada disfunção hepática sem evidência clara de hipersensibilidade mais generalizada.

Afeções dos tecidos cutâneos e subcutâneos
Frequentes: eritema.
Muito raros: reações adversas cutâneas graves – foram notificados casos de síndrome de Stevens-Johnson (SSJ) e de necrólise epidérmica tóxica (NET) (ver secção 4.4) - angioedema, erupção induzida por fármaco, alopécia, descoloração capilar.

As reações cutâneas são as reações mais comuns e podem ocorrer a qualquer altura durante o tratamento. Podem ser pruriginosas, maculopapulares, por vezes descamativas ou purpúricas e raramente esfoliativas. Nestas situações, o Alopurinol deve ser imediatamente interrompido.
Em caso de reação ligeira e após recuperação, pode, se desejado, reintroduzir-se o Alopurinol em doses baixas (p.ex. 50 mg por dia), incrementando gradualmente. Se o eritema reaparecer, o tratamento com Alopurinol deve ser interrompido permanentemente, uma vez que se poderão ocorrer reações de hipersensibilidade de maior gravidade (ver Doenças do sistema imunitário). Foi notificado angioedema quer com quer sem sinais e sintomas de uma reação de hipersensibilidade mais generalizada.

Afeções musculosqueléticas e dos tecidos conjuntivos
Muito raros: dor muscular

Doenças renais e urinárias
Raros: urolitíase
Muito raros: hematúria, uremia.

Doenças dos órgãos genitais e da mama
Muito raros: infertilidade masculina, disfunção eréctil, ginecomastia.

Perturbações gerais e alterações no local de administração
Muito raros: edema, mal-estar geral, astenia, febre.

Foi notificada febre quer com, quer sem sinais e sintomas de uma reação de hipersensibilidade mais generalizada ao alopurinol (ver Doenças do sistema imunitário).

4.9 Sobredosagem
Em caso de dosagem excessiva acidental, devem-se esperar fundamentalmente sintomas gastrointestinais. O tratamento do quadro incluirá diurese forçada para facilitar a eliminação da substância ativa e dos seus metabolitos

5. Propriedades farmacológicas
5.1 Propriedades farmacodinâmicas
Grupo farmacoterapêutico: 9.3 – Aparelho locomotor. Medicamentos usados para o tratamento da gota, código ATC: M04AA01
O alopurinol pertence ao grupo dos chamados uricostáticos, pela sua capacidade de inibir a síntese de ácido úrico diminuindo o nível da uricemia e levando a uma menor eliminação do ácido úrico pela urina, bem como à dissolução dos depósitos de ácido úrico existentes. Este efeito uricostático está baseado na inibição da enzima xantina-oxidase, responsável pela transformação dos percursores hipoxantina e xantina, em ácido úrico.
Ao contrário do que acontece com os uricosúricos, o alopurinol não aumenta a excreção renal de ácido úrico com o consequente risco de formação de cálculos, tanto de uratos, como de oxipurinas (hipoxantina e xantina) uma vez que estas são mais solúveis.

5.2 Propriedades farmacocinéticas
A absorção gastrointestinal após a administração oral de alopurinol é boa e tem uma semivida plasmática de 1 a 3 horas.
No fígado transforma-se em oxipurinol, metabolito também ativo. Nenhuma das substâncias se liga às proteínas plasmáticas, difundindo livremente e distribuindo-se na totalidade dos fluídos corporais.

A excreção realiza-se fundamentalmente por via renal, por filtração glomerular no caso do alopurinol, sendo o oxipurinol reabsorvido nos túbulos renais.

5.3 Dados de segurança pré-clínica
Não estão descritos.

6. Informações farmacêuticas
6.1 Lista de excipientes
Lactose monohidratada,
Amido de milho,
Povidona,
Estearato de magnésio,
Carboximetilamido sódico

6.2 Incompatibilidades
Não aplicável.

6.3 Prazo de validade
5 anos.

6.4 Precauções particulares de conservação
Conservar a temperatura inferior a 25º C.
Conservar ao abrigo da luz e da humidade.

6.5 Natureza e conteúdo do recipiente
O Alopurinol Sidefarma está acondicionado em blisters de PVC/alumínio em embalagens de 20 e 60 comprimidos.

É possível que não sejam comercializadas todas as apresentações.

6.6 Precauções especiais de eliminação
Não existem requisitos especiais.

Qualquer medicamento não utilizado ou resíduos devem ser eliminados de acordo com as exigências locais.

7. Titular da autorização de introdução no mercado
Sidefarma - sociedade industrial de expansão farmacêutica, s.a.
Rua da guiné, n.º 26
2689-514 prior velho
Portugal

8. Número de autorização de introdução no mercado
Alopurinol Sidefarma 300 mg comprimidos
Nº de registo: 2515690- 20 comprimidos, 300 mg, blisters de PVC/alumínio
Nº de registo: 2515799- 60 comprimidos, 300 mg, blisters de PVC/alumínio

9. Data da primeira autorização/renovação da autorização de introdução no mercado
Data da primeira autorização: 07 de junho 1997
Data da última renovação: 07 de junho 2002

10. Data da revisão do texto


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