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Medicamentos sujeitos a Receita Médica | Antidiabéticos Orais | Glimiperida Glimial
1. Nome do Medicamento
Glimepirida Glimial 2 mg Comprimidos
Glimepirida Glimial 4 mg Comprimidos

2. Composição qualitativa e quantitativa
1 comprimido de Glimepirida Glimial 2 mg Comprimidos contém 2 mg de glimepirida, como substância activa.
Excipientes:
Lactose mono-hidratada – 137,2 mg
Sódio – cerca de 0,34 mg (sob a forma de carboximetilamido sódico)

1 comprimido de Glimepirida Glimial 4 mg Comprimidos contém 4 mg de glimepirida, como substância activa
Excipientes:
Lactose mono-hidratada – 135,9 mg
Sódio – cerca de 0,34 mg (sob a forma de carboximetilamido sódico)

Lista completa de excipientes, ver secção 6.1.

3. Forma farmacêutica
Comprimido.

4. Informações clínicas
4.1 Indicações terapêuticas
Glimepirida Glimial está indicada para o tratamento da diabetes mellitus tipo 2, desde que não possa ser adequadamente controlada por dieta, exercício físico e redução de peso.

4.2 Posologia e modo de administração
A base para um tratamento com êxito da diabetes consiste numa boa dieta e actividade física regular, assim como controlos regulares de sangue e urina.

A não adesão do doente à dieta recomendada, não pode ser compensada por comprimidos ou insulina.

A posologia baseia-se nos resultados do exame metabólico (determinações da glucose sanguínea e urinária).

A dose inicial é de 1 mg de glimepirida por dia. Se for alcançado um bom controlo metabólico, esta dose pode ser tomada como terapêutica de manutenção.

Em caso de controlo insatisfatório, a posologia tem de ser aumentada gradualmente em função do controlo da glicémia, com intervalos de cerca de 1 a 2 semanas entre cada aumento da dose para 2 mg, 3 mg ou 4 mg de glimepirida por dia.

Posologias superiores a 4 mg de glimepirida por dia só dão melhores resultados em casos excepcionais. A dose máxima recomendada é de 6 mg de glimepirida por dia.

Em doentes não controlados adequadamente com a dose diária máxima de metformina, a terapêutica concomitante com glimepirida pode ser iniciada. Enquanto se mantém a dose de metformina a terapêutica com glimepirida é iniciada com uma dose baixa e é então elevada, dependendo do nível desejado de controlo metabólico, até à dose máxima. A terapêutica de combinação deverá ser iniciada sob estrita vigilância médica.

Em doentes não controlados adequadamente com a dose máxima diária de Glimepirida Glimial, uma terapêutica concomitante com insulina pode ser iniciada, se necessário.

Mantendo a mesma dose de glimepirida, o tratamento com insulina é iniciado com uma dose baixa e aumentada em função do nível desejado de controlo metabólico. A terapêutica de combinação deve ser iniciada sob estrita vigilância médica.

Normalmente, uma dose única diária de Glimepirida Glimial é suficiente. Recomenda-se que esta dose seja administrada pouco antes ou durante um pequeno-almoço substancial; ou - se não o tomar - pouco antes ou durante a primeira refeição principal.

A omissão da tomada de uma dose não deve ser nunca corrigida aumentando a dose seguinte. Os comprimidos devem ser engolidos com um pouco de líquido.

Se um doente mostrar uma reacção hipoglicémica com 1 mg de glimepirida por dia, isto indica que o controlo só com dieta pode ser conseguido nesse doente.

Dado que a melhoria do controlo da diabetes está associada com uma maior sensibilidade à insulina, as necessidades de glimepirida podem baixar com a continuação do tratamento. Para evitar uma hipoglicémia, a redução da dose ou a interrupção da terapêutica podem ser tomadas em consideração no decurso do tratamento.

Também pode ser necessária uma correcção da dose quando:
- Se altere o peso do doente,
- Haja modificação do estilo de vida do doente,
- Surjam outros factores que aumentem o risco de hipoglicémia ou de hiperglicémia.

Passagem de outros antidiabéticos orais para Glimepirida Glimial

A passagem de outros antidiabéticos orais para Glimepirida Glimial pode geralmente ser efectuada. Para esta passagem, a potência e a semi-vida da medicação anterior têm ser tomadas em consideração. Nalguns casos, especialmente em anti-diabéticos com uma semi-vida longa (p.ex. clorpropamida), é recomendado um período de “wash out” de alguns dias a fim de minimizar o risco de reacções hipoglicémicas devidas ao efeito aditivo.
A dose inicial recomendada é de 1 mg por dia de glimepirida. Baseado na resposta metabólica, a posologia da glimepirida pode ser aumentada gradualmente, como indicado para primeiro tratamento.

Passagem de insulina para a Glimepirida Glimial
Em casos excepcionais de doentes diabéticos tipo 2 controlados com insulina, pode estar indicada uma passagem para Glimepirida Glimial. Esta passagem deve ser feita sob vigilância médica estrita.

Uso em insuficiência renal ou hepática
Ver secção 4.3. Contra-indicações

4.3 Contra-indicações
Glimepirida Glimial não deve ser administrada nos seguintes casos:
- Diabetes tipo 1 (insulino-dependente);
- Coma diabético;
- Cetoacidose;
- Perturbações graves da função renal ou hepática;
- Hipersensibilidade à glimepirida, a outras sulfonilureias ou sulfonamidas ou aos excipientes do comprimido.

Em caso de perturbações renais ou hepáticas graves, é necessário passar para insulina.

Glimepirida Glimial está contra-indicada na gravidez e aleitamento.

4.4 Advertências e precauções especiais de utilização
Glimepirida Glimial tem de ser tomada pouco antes ou durante uma refeição.

Em caso de refeições com intervalos irregulares, ou não tomando algumas refeições, o tratamento com Glimepirida Glimial pode levar a hipoglicémia.
Os sintomas possíveis de hipoglicémia incluem: cefaleias, fome voraz, náuseas, vómitos, lassitude, tonturas, sono perturbado, inquietude, agressividade, perturbações da concentração, vigília e tempo de reacção, depressão, confusão, perturbações visuais e da fala, afasia, tremor, parésias, perturbações sensoriais, tonturas, perda de auto-controlo, delírio, convulsões cerebrais, sonolência e perda da consciência até situações mais graves como coma, respiração superficial e bradicardia.

Para além disso, podem estar presentes sinais de contra-regulação adrenérgica, tais como suores, pele húmida, ansiedade, taquicardia, hipertensão, palpitações, angina de peito e arritmias cardíacas.

O quadro clínico de um ataque hipoglicémico grave pode assemelhar-se ao de um AVC.

Os sintomas podem ser controlados quase sempre pela ingestão de hidratos de carbono (açúcar). Os adoçantes artificiais não têm efeito.

Sabe-se de outras sulfonilureias que, apesar de as contra-medidas inicialmente terem dado bom resultado, pode recorrer uma hipoglicémia.

Em caso de hipoglicémia grave ou prolongada só controlada temporariamente pelas quantidades habituais de açúcar, é necessário tratamento médico imediato e ocasionalmente hospitalização.

Entre outros, os seguintes factores favorecem a hipoglicémia:
- Recusa ou (mais frequentemente em doentes idosos) incapacidade do doente de cooperar;
- Subnutrição, refeições irregulares ou falhadas, ou períodos de jejum;
- Desfasamento entre o exercício físico e a ingestão de glúcidos;
- Alterações da dieta;
- Consumo de álcool, especialmente em combinação com refeições falhadas;
- Perturbação da função renal;
- Perturbação grave da função hepática;
- Sobredosagem com Glimepirida Glimial;
- Certas perturbações descompensadas do sistema endócrino afectando o metabolismo dos glúcidos ou a contra-regulação da hipoglicémia (como, por exemplo, em certas perturbações da função tiroideia e na insuficiência suprarenal ou da hipófise anterior);
- Administração concomitante de certos outros medicamentos (ver secção 4.5 “Interacções medicamentosas e outras formas de interacção”).

O tratamento com Glimepirida Glimial exige monitorização dos níveis de glucose no sangue e na urina. Para além disso, é recomendada a determinação da hemoglobina glicosilada.

É necessário um controlo regular do hemograma (especialmente leucócitos e trombócitos) e da função hepática durante o tratamento com Glimepirida Glimial.

Em situações de stress (p.ex. acidentes, cirurgia, infecções febris), pode ser indicada uma mudança temporária para insulina.

Não há experiência relativamente ao uso de Glimepirida Glimial em doentes com perturbação grave da função hepática e em doentes dialisados. Em doentes com perturbação grave da função hepática ou renal, está indicada a passagem para insulina.

O tratamento de doentes com deficiência em glucose-6-fosfato desidrogenase (G6PD) com sulfonilureias pode provocar anemia hemolítica. Pelo facto de a glimepirida pertencer à classe das sulfonilureias a sua administração em doentes com deficiência em G6PD deverá ser realizada com precaução, devendo nestes doentes ser ponderada a administração de outro antidiabético que não seja uma sulfonilureia.

Este medicamento contém lactose mono-hidratada. Doentes com problemas hereditários raros de intolerância à galactose, deficiência de lactase ou má absorção de glucose-galactose não devem tomar este medicamento.

4.5 Interações medicamentosas e outras formas de interacção
Tomando Glimepirida Glimial em simultâneo com certos outros medicamentos, podem ocorrer aumentos ou baixas da acção hipoglicemiante da glimepirida. Por isso, só devem ser tomados outros medicamentos com conhecimento (ou receita) do médico.

Baseado na experiência com Glimepirida Glimial e outras sulfonilureias, têm de se mencionar as interacções seguintes:

Pode ocorrer uma potenciação do efeito hipoglicemiante e, portanto, nalguns casos, hipoglicémia quando um dos seguintes medicamentos é administrado em simultâneo com glimepirida, por exemplo:
- Fenilbutazona, azapropazona e oxifenobutazona;
- Insulina e produtos antidiabéticos orais;
- Metformina;
- Salicilatos e ácido p-amino-salicílico;
- Esteróides anabolizantes e hormonas sexuais masculinas;
- Cloranfenicol;
- Anti-coagulantes cumarínicos;
- Fenfluramina;
- Fibratos;
- Inibidores da ECA;
- Fluoxetina;
- Alopurinol;
- Simpaticolíticos;
- Ciclo-,tro-e ifosfomidas;
- Sulfimpirazona;
- Certas sulfonamidas de acção longa;
- Tetraciclinas;
- Inibidores da mao;
- Quinolonas;
- Probenecida;
- Miconazol;
- Pentoxifilina (doses elevadas por via parentérica);
- Tritoqualina.

Pode ocorrer uma baixa do efeito hipoglicemiante, e portanto um aumento dos níveis de glicémia, quando um dos medicamentos seguintes é administrado em simultâneo com a glimepirida, por exemplo:
- Estrogéneos e gestagéneos;
- Saluréticos; diuréticos tiazídicos;
- Tireomiméticos e glucocorticóides;
- Derivados fenotiazínicos; clorpromazina;
- Adrenalina e simpaticomiméticos;
- Ácido nicotínico (doses elevadas) e seus derivados;
- Laxativos (uso prolongado);
- Fenitoína; diazóxido;
- Glucagom; barbitúricos e rifampicina;
- Acetazolamida.

Os antagonistas dos receptores H2, bloqueadores beta, clonidina e reserpina, podem levar quer a uma potenciação quer a uma diminuição do efeito hipoglicemiante. Sob a influência de medicamentos simpaticolíticos tais como bloqueadores beta, clonidina, guanetidina e reserpina, os sinais de contra-regulação adrenérgica à hipoglicémia podem ser reduzidos ou estar ausentes. A ingestão de álcool pode potenciar ou diminuir o efeito hipoglicemiante da glimepirida de maneira imprevisível.

O efeito dos derivados da cumarina pode ser potenciado ou diminuído pela glimepirida.

4.6 Gravidez e aleitamento
Gravidez
Glimepirida Glimial está contra-indicada durante a gravidez. As doentes que planeiam uma gravidez devem informar o seu médico.

Aleitamento
Porque os derivados das sulfonilureias como a glimepirida passam ao leite materno, Glimepirida Glimial não pode ser tomada por mulheres que amamentam.

4.7 Efeitos sobre a capacidade de conduzir e utilizar máquinas
A capacidade do doente para se concentrar e reagir pode ser alterada, como resultado de uma hipoglicémia ou hiperglicémia ou, por exemplo, como resultado duma perturbação visual. Isto pode constituir um risco em situações onde estas capacidades têm especial importância (por ex. conduzir um carro ou utilização de máquinas).

Os doentes devem ser avisados para terem precaução de modo a evitar uma hipoglicémia enquanto conduzem. Isto é particularmente importante para aqueles que têm reduzida ou ausência de percepção de aviso dos sintomas de uma hipoglicémia ou têm frequentes episódios de hipoglicémia. Deve ser tido em consideração se é aconselhável conduzir ou utilizar máquinas nestas circunstâncias.

4.8 Efeitos indesejáveis
Baseado na experiência com Glimepirida Glimial e outras sulfonilureias, os seguintes efeitos secundários têm de ser mencionados:
Perturbações do sistema imunitário
Em casos raros uma reacção de hipersensibilidade moderada pode originar uma reacção grave com dispneia, queda de pressão arterial e algumas vezes choque. vasculite alérgica é possível em casos muito raros.

São possíveis reacções alérgicas cruzadas com sulfonilureias, sulfonamidas ou substância semelhantes.

Perturbações no sangue e sistema linfático
Alterações na hematologia são raras durante o tratamento com Glimepirida Glimial. Pode ocorrer uma trombocitopénia moderada a grave, leucopénia, eritrocitopénia, granulocitopénia, agranulocitose, anemia hemolítica e pancitopénia.

São em geral reversíveis após a descontinuação da terapêutica.

Metabolismo e perturbações de nutrição
Em casos raros, têm sido observadas reacções hipoglicémicas após administração de Glimepirida Glimial. Estas reacções ocorrem imediatamente, na maior parte dos casos, podem ser graves e não são sempre fáceis de corrigir. A ocorrência de tais reacções, tal como para outras terapêuticas hipoglicemiantes, depende de factores individuais, tais como hábitos dietéticos e posologia (ver também secção 4.4 “Advertências e precauções especiais de utilização”).

Perturbações da visão
Especialmente no início do tratamento, podem ocorrer perturbações transitórias da visão devido a alterações dos níveis de glicémia.

Perturbações gastrointestinais
Queixas gastrointestinais como náuseas, vómitos e diarreia, sensação de peso no estômago ou enfartamento e dor abdominal são raras e implicam poucas vezes a interrupção do tratamento.

Perturbações hepatobiliares
Pode ocorrer um aumento das enzimas hepáticas. Em casos isolados, pode desenvolver-se uma perturbação da função hepática (p.ex. com colestase e icterícia), assim como uma progressão de hepatite que pode evoluir para insuficiência hepática.

Perturbações da pele e tecidos subcutâneos
Podem ocorrer reacções cutâneas de hipersensibilidade, sob a forma de prurido, urticária ou exantemas.
Em casos muito raros pode ocorrer hipersensibilidade à luz.

Em investigação
Em casos muito raros pode ocorrer uma baixa da concentração do sódio sérico.

4.9 Sobredosagem
Após ingestão de uma sobredosagem, pode ocorrer hipoglicémia que pode durar 12 a 72 horas e que pode recorrer após recuperação. Os sintomas podem ocorrer até 24 horas após ingestão. Em geral, é recomendada observação num hospital. Podem ocorrer náuseas, vómitos e dor epigástrica. A hipoglicémia pode em geral ser acompanhada por sintomas neurológicos tais como inquietude, tremor, perturbações visuais, dificuldade de coordenação, sonolência, coma e convulsões.

O tratamento consiste essencialmente em prevenir que a glimepirida seja absorvida induzindo o vómito e bebendo em seguida água ou limonada com carvão activado (adsorvente) e sulfato de sódio (laxante). Em caso de ter sido ingerida uma dose elevada, lavagem gástrica está indicada, seguida por carvão activado e sulfato de sódio. Em caso de (grave) sobredosagem, hospitalização numa UCI é indica, iniciando-se tão cedo quanto possível a administração de glucose.
Se necessário, dar primeiro 50 ml de uma solução a 50 % de glucose endovenosa como bólus, seguida da administração de uma solução a 10% como infusão sob controlo estreito da glicémia.
Em seguida, tratamento sintomático.

Em particular, quando se tratar uma hipoglicémia devida a ingestão acidental de Glimepirida Glimial em lactentes e crianças jovens, a dose de glucose dada deve ser cuidadosamente ajustada para evitar a possibilidade de causar hiperglicémia perigosa, devendo-se assim controlar a glicémia sob estreita monitorização.

5. Propriedades farmacológicas
5.1 Propriedades farmacodinâmicas

Grupo farmacoterapêutico:
8.4.2 Hormonas e medicamentos usados no tratamento das doenças endócrinas. Insulinas, antidiabéticos orais e glucagom. Antidiabéticos orais.

Código ATC: A10B B12
A glimepirida é uma substância hipoglicemiante activa oralmente que pertence ao grupo das sulfonilureias. Pode ser usada em caso de diabetes tipo 2 (não insulino-dependente).

A glimepirida actua essencialmente pela estimulação da libertação da insulina pelas células beta pancreáticas.

Como com outras sulfonilureias, este efeito baseia-se num aumento da resposta da célula beta pancreática ao estímulo fisiológico da glucose. Para além disso, a glimepirida parece ter marcados efeitos extra-pancreáticos também postulados para outras sulfonilureias.

Libertação de insulina
As sulfonilureias regulam a secreção de insulina fechando o canal do potássio sensível ao ATP na membrana da célula beta.

Ao fechar o canal do potássio, induz-se a despolarização da célula beta o que leva à abertura dos canais do cálcio e portanto a um aumento à entrada de cálcio na célula, activando a libertação de insulina por exocitose.

A glimepirida liga-se com uma taxa de troca elevada à proteína da membrana da célula beta que está associada com o canal de potássio sensível ao ATP mas que é diferente do local de ligação habitual das sulfonilureias.

Actividade extra-pancreática
Os efeitos extra-pancreáticos são, p.ex., uma melhoria da sensibilidade dos tecidos periféricos à insulina e uma diminuição da captação da insulina pelo figado.

A captação periférica da glucose do sangue para o interior das células musculares e adiposas ocorre via proteínas de transportes especiais, localizadas na membrana das células. O transporte da glucose nestes tecidos é a fase que limita a utilização da glucose. A glimepirida eleva rapidamente o número das moléculas de transporte da glucose nas membranas plasmáticas das células musculares e adiposas, de que resulta uma estimulação da captação de glucose.

A glimepirida aumenta a actividade da fosfolipase C específica do glicosilfosfatidinositol, o que pode estar relacionado com a lipogénese induzida pelo medicamento em células musculares e adiposas isoladas.

A glimepirida inibe a produção hepática de glucose ao elevar a concentração intracelular de frutose-2,6-bifosfato que por sua vez inibe a gluconeogénese.

Geral
Em pessoas saudáveis, a dose oral eficaz mínima é aproximadamente de 0.6 mg. O efeito da glimepirida depende da dose e é reprodutível. A resposta fisiológica ao exercício físico agudo, isto é, a redução da secreção de insulina, está ainda presente sob a glimepirida.

Não houve diferenças significativas no efeito quer o medicamento fosse dado 30 minutos ou imediatamente antes de uma refeição. Em doentes diabéticos, pode-se obter um bom controlo metabólico durante as 24 horas com dose única.

Embora o metabolito hidroxilado da glimepirida cause uma ligeira mas significativa baixa da glicémia em pessoas saudáveis, ele só é responsável por uma pequena parte do efeito medicamentoso total.

Terapêutica de combinação com metformina
Em doentes não adequadamente controlados com a dose máxima de metformina, foi verificado num estudo a melhoria do controlo metabólico em terapia concomitante, comparada à de um estudo com apenas metformina.

Terapêutica de combinação com insulina
Os dados para a terapêutica de combinação são limitados. Em doentes não controlados adequadamente com a dose máxima de glimepirida, uma terapêutica concomitante com insulina pode ser iniciada. Em dois estudos, a combinação alcançou a mesma melhoria do controlo metabólico do que a insulina isolada; contudo, foi necessária uma dose média mais baixa de insulina na terapêutica de combinação.

5.2 Propriedades farmacocinéticas
Absorção: A biodisponibilidade após administração oral da glimepirida é total. A ingestão de alimentos não tem influência relevante na absorção, cuja taxa é só ligeiramente diminuída. As concentrações séricas máximas (Cmax) são alcançadas cerca de 2.5 horas após ingestão oral (média 0.3 ug/ml durante doses múltiplas de 4 mg por dia) e há uma relação linear entre a dose e Cmax e AUC (área subjacente à curva concentração/tempo).

Distribuição: A glimepirida tem um volume de distribuição muito baixo (cerca de 8.8 litros) que é aproximadamente igual ao espaço de distribuição de albumina, uma ligação proteica elevada (> 99%) e uma baixa clearance (cerca de 48ml/min).

Em animais, a glimepirida é excretada no leite. A glimepirida é transferida para a placenta. A passagem para a barreira hematoencefálica é baixa.

Biotransformação e eliminação: A semi-vida sérica dominante média, que é relevante para as concentrações séricas sob condições de doses múltiplas é de cerca de 5 a 8 horas. Após doses elevadas, registaram-se semi-vidas ligeiramente mais longas.

Após uma dose única de glimepirida rádio-marcada, 58% da radioactividade foi recuperada na urina e 35% nas fezes. Não foi detectada na urina substância inalterada. Dois metabolitos -muito provavelmente resultantes do metabolismo hepático foram identificados tanto na urina como nas fezes: o derivado hidroxilado e o derivado carboxilado. Após administração oral da glimepirida, as semi-vidas terminais destes metabolitos foram de 3 a 6 e de 5 a 6 horas, respectivamente.

A comparação da administração de doses únicas e de doses múltiplas diárias não revelou diferenças significativas na farmacocinética e a variabilidade intra–individual foi muito pequena. Não houve acumulação relevante. A farmacocinética foi semelhante em homens e mulheres, assim como em doentes jovens e idosos (acima de 65 anos).

Em doentes com clearance da creatinina baixa, houve tendência para o aumento da clearance da glimepirida e para a diminuição das concentrações séricas médias, o que resultou muito provavelmente de uma mais rápida eliminação devido a uma redução da ligação proteica. A eliminação renal dos dois metabolitos foi afectada. Globalmente, não é de presumir um risco adicional de acumulação em tais doentes.

A farmacocinética em cinco doentes não diabéticos após cirurgia das vias biliares foi semelhante à dos indivíduos saudáveis.

5.3 Dados de segurança pré-clínica
Os efeitos pré-clínicos observados, ocorridos em exposições suficientemente em excesso, na exposição máxima em humanos, indicaram pouca relevância no uso clínico, ou foram devidos á acção farmacodinâmica (hipoglicémia) do composto. Esta conclusão é baseada na segurança farmacológica convencional, toxicidade em doses repetidas, genotoxicidade, carcinogenotoxicidade e estudos de toxicidade de reprodução. Mais tarde, (cobrindo a embriotoxicidade, teratogenicidade e toxicidade no desenvolvimento), os efeitos indesejáveis observados foram considerados secundários dos efeitos hipoglicemiantes induzidos pelo composto em fêmeas em idade de procriar e sua descendência.

6. Informações farmacêuticas
6.1 Lista de excipientes
Lactose mono-hidratada, amidoglicolato de sódio, estearato de magnésio, celulose microcristalina, povidona K30 e laca de alumínio de indigotina (E132).

Os comprimidos de 2 mg ainda contêm como agente corante óxido amarelo de ferro (E172).

6.2 Incompatibilidades
Nenhuma conhecida

6.3 Prazo de validade
3 anos

6.4 Precauções particulares de conservação
Não conservar acima de 25ºC
Conservar na embalagem de origem para proteger da luz e humidade

6.5 Natureza e conteúdo do recipiente
Blister de PVC/Alumínio, contendo 10 comprimidos com ranhura em ambas as faces.
Embalagens de 20 e 60 comprimidos na dosagem de 2 mg e embalagens de 60 comprimidos na dosagem de 4 mg.

6.6 Precauções especiais de eliminação
Não existem requisitos especiais.

7. Titular da autorização de introdução no mercado
Sidefarma - sociedade industrial de expansão farmacêutica, s.a.
Rua da guiné, n.º 26
2689-514 prior velho
Portugal

8. Número de autorização de introdução no mercado
Glimepirida Glimial 2 mg Comprimidos
Nº de registo: 5515895 - 20 comprimidos, 2 mg, blisters de PVC/Alumínio
Nº de registo: 3827995 - 60 comprimidos, 2 mg, blisters de PVC/Alumínio

Glimepirida Glimial 4 mg Comprimidos
Nº de registo: 3828092 - 60 comprimidos, 4 mg, blisters de PVC/Alumínio

9. Data da primeira autorização/renovação da autorização de Introdução no Mercado
Data da primeira autorização: 4 de Dezembro de 2001

10. Data da revisão do texto

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